Depoimento: “Como iniciei meu próprio negócio no Canadá”

Abrir uma empresa é algo desafiador. Algumas pessoas têm medo de investir na montagem de um negócio e perder economias que, muitas vezes, levaram anos para serem conquistadas. Agora imagine começar o seu próprio business em um outro país. Os desafios se multiplicam e parecem se tornar ainda muito maiores. Por isso, pensando em ajudar os brasileiros que querem ir para o Canadá e construir um negócio de sucesso no futuro, a 3RA Intercâmbio convidou o empresário Vinícius Caldana, proprietário do Brisa Spa e Studio, em Vancouver, para participar da Semana do Trabalho.

Vinícius imigrou para o Canadá em 2004 e há cerca de três anos está a frente de seu próprio negócio. Atualmente, o Brisa Spa emprega cinco funcionárias, todas brasileiras. A proposta é  oferecer ao público serviços de estética e beleza. “Nós abrimos por quase 12 horas aos finais de semana e 12717665_10156500839635494_4280109397141937294_noferecemos serviços diferenciados, que vão desde manicure, podologia e depilação, até tratamentos estéticos, corporais e faciais como peelings de diamante e cristais”, contou.

De acordo com Vinícius, o fato de já ser um residente permanente no país facilitou muito o processo de compra da empresa, que antes pertencia a uma outra família de brasileiros.  Porém, ele ressalta que a abertura do próprio negócio não é exclusividade de cidadãos canadenses e residentes permanentes. “Sendo residente, a parte de gestão, crédito e administração se torna muito mais simples, pois você pode contar com o apoio de bancos, linha de crédito e outros benefícios dados pelo governo. Porém, até um turista pode abrir uma empresa aqui. A gestão e a operação é que se tornam um pouco mais complexas”, explicou.

Ainda segundo ele, cada negócio precisa de um tipo de licença e apesar de os processos serem um pouco burocráticos, tudo funciona muito bem. “No nosso caso, temos um controle muito rígido com o departamento de saúde de Vancouver. A licença em si não demora a sair quando tudo está adequado. Mas todo o processo levou cerca de quatro meses. Para quem tem interesse em abrir um negócio no Canadá,a primeira coisa a se fazer é ir até a prefeitura da cidade para se informar e descobrir o que é preciso, quanto custa e as etapas exigidas para cada tipo de empresa”, destacou.

Para os recém-chegados ao país que estão buscando emprego ou que pensam em abrir o seu próprio negócio, Vinícius tem uma dica: nunca desanimar. De acordo com ele, a vida de imigrante não é fácil, principalmente nos dois primeiros anos, mas a tendência é melhorar no futuro, já que brasileiros são pessoas de grande destaque no exterior por sua polivalência.  “Muita gente acha que pelo fato de você deixar o Brasil e vir para o Canadá você estará em um melhor patamar. Eu digo que você dá um passo para trás, para poder dar dois para frente… Nesse começo, chegar e trabalhar na sua área, é quase que ganhar na loteria. Portanto, costumo dizer à quem chegou para não desistir. No começo precisamos fazer alguns sacrifícios, mas no final vale a pena. O importante é trabalhar, conseguir algum emprego para que se melhore o inglês e aprenda a cultura local. Aos poucos as coisas vão se acertando e as portas se abrindo. Humildade, força de vontade e perseverança. É preciso buscar espaço e, às vezes, é necessário começar de baixo mesmo”, finalizou.

0 Compart.

Quem contrata: Danilo Oliveira – 3RA Intercâmbio

“Cada pessoa tem uma história, uma formação e sua experiência profissional. Alguns possuem fluência no idioma e/ou grande experiência em sua área, mas isso não garante que você vai chegar ao Canadá trabalhando na mesma posição ou nível que trabalhava no Brasil”.  A frase é do gerente de recursos humanos da 3RA Intercâmbio, Danilo Prestes Oliveira. Ele, que chegou a Vancouver no ano passado, conta com mais de 15 anos de experiência na área no Brasil, onde atuou na Nestlé lidando com vários países da América Latina.

Segundo Danilo, ao chegar no Canadá, é preciso controlar a expectativa, principalmente se as experiências anteriores não forem significativas ou se o nível de fluência no idioma local não for dos melhores. “Nesses casos você poderá ter alguma dificuldade para encontrar uma posição img_78952-1-1030x551equivalente a sua no Brasil. Isso não quer dizer que você não vá arrumar emprego, mas sim que você passará por um período de reconstrução de carreira, momento em que vai mostrar ao mercado canadense suas habilidades e resultados”, destacou.

Ainda de acordo com Danilo, assim como no Brasil, no Canadá não existe fórmula mágica para se destacar dos demais candidatos. Porém, algumas atitudes podem fazer toda a diferença. Na hora de selecionar novos colaboradores para a 3RA Intercâmbio, por exemplo, ele analisa várias questões, dentre elas a coerência entre as informações enviadas no currículo e aquelas apresentadas durante a entrevista. “Todos os candidatos têm pontos fortes. O interessante é sempre demonstrar uma atitude positiva, iniciativa, facilidade de comunicação, ser honesto, íntegro, saber trabalhar em equipe e apresentar o que tem de melhor”, falou.

O processo de seleção da 3RA Intercâmbio não é muito diferente do das outras empresas canadenses. Segundo Danilo, a agência, que está em constante crescimento, sempre precisa buscar profissionais no mercado. “Quando isso acontece, nós podemos resumir nosso procedimento em algumas etapas: Divulgação da vaga, triagem de currículos, entrevistas e testes”. Dentre estes testes, por exemplo, estão as provas de inglês. “Muitos funcionários da nossa equipe possuem contato direto com universidades, colleges, escolas de inglês e empresas de homestay. Aliás, este é o nosso grande diferencial, já que não trabalhamos com informação pronta ou de internet, nossa equipe é totalmente integrada com as instituições canadenses. Por esse motivo, para trabalhar na 3RA é muito importante que a pessoa tenha um nível avançado no idioma”, revelou.

Para o gerente de RH da 3RA Intercâmbio, apesar de contar com algumas semelhanças, a seleção canadense conta com importantes diferenças e os brasileiros que chegam ao novo país precisam estar atentos. “Aqui no Canadá o processo tem um formato diferente para a primeira seleção de candidatos. Para o mercado canadense, é muito importante que o candidato tenha uma boa cover letter, pois ela será sua porta de entrada e seu acesso ao entrevistador. O formato do currículo também é algo a ser observado cuidadosamente, já que um pequeno detalhe pode intensificar ou não o interesse do entrevistador em continuar lendo a informação do candidato”, concluiu.

Outro ponto destacado por Danilo é a importância da entrevista de emprego, tanto no Canadá quanto no Brasil. “A entrevista é o momento que temos para conhecer o candidato, saber de suas experiências profissionais e pessoais. É um momento para entender o passado e vislumbrar a aplicabilidade de determinadas características no futuro”, finalizou.

0 Compart.

Depoimento: O primeiro emprego no Canadá – Desafios e futuro

Todos os anos, milhares de brasileiros deixam para trás suas carreiras e chegam ao Canadá em busca de novas oportunidades e qualidade de vida. De olho no futuro, enquanto estudam e aprimoram o inglês para conseguir uma colocação na área que desejam, eles partem para os empregos “entry level”, como aqui são conhecidos os cargos nas áreas de comércio e construção, por exemplo. Ao contrário do que muita gente pensa, esses cargos não são exclusividade de estrangeiros: Existem milhares de canadenses que também trabalham nessas vagas. No Canadá não existe este tipo de preconceito e trabalho é trabalho. Todo mundo consegue viver bem trabalhando com o que escolheu. Por isso, antes de embarcar, é preciso deixar este pensamento de lado e, em seguida, se preparar para garantir o seu primeiro emprego em terras canadenses.

O administrador de empresas Henrique Matsuda Itoh deixou o Brasil há quase dois anos atrás. Ele viajou para Vancouver com a intenção de aprimorar o inglês, mas encontrou inúmeras novas possibilidades no país e agora estuda para trabalhar no futuro com ilustração, animação e modelagem 3D. “Eu sempre gostei muito de desenhar e meus amigos, familiares e professores sempre elogiavam meu trabalho. Quando cheguei ao Canadá descobri inúmeras empresas da área de cinema e inúmeras escolas. Vi uma oportunidade única de conseguir conhecimento e, quem sabe, uma chance de expor minha habilidade e garantir o emprego dos meus sonhos”, revelou.

Enquanto se prepara para a nova carreira, Henrique trabalha como lavador de pratos em um restaurante.  “Eu era caixa de banco e apenas essa informação já mostra o quanto era estressante a minha vida profissional. Trabalhar como lavador de pratos nunca me incomodou, ainda mais porque no Brasil eu trabalhava em um emprego que não gostava. Agora estou focado no futuro, pois quero trabalhar com algo que me dê prazer. Nós passamos grande parte da vida trabalhando, então tem que ser com algo que a gente goste”, destacou.

HenriquePara conseguir o primeiro emprego em um restaurante, como todo recém-chegado ao país, Henrique precisou se preparar e contou com a ajuda de amigos. “Como não conhecia como era o sistema empregatício no Canadá fiquei muito perdido. Por sorte, um amigo me indicou para o trabalho. Aqui o mercado para empregos entry level é abundante, mas é preciso saber como procurar por essas vagas. Tudo depende muito do tipo de trabalho que você está procurando”, falou.

Segundo Henrique, o que sempre funcionou para ele na hora de buscar um emprego foi poder contar com sua rede de contatos e persistência. “As empresas aqui prezam muito por indicação. Por isso a minha dica é sempre fazer o máximo de contatos possível. Para quem acabou de chegar e ainda não conhece ninguém, é bom sempre ter cópias do currículo com você e ir andando pela cidade. Sempre tem alguma placa de ‘contratando’ em alguma loja. Também é legal procurar em sites como o Craigslist. Outro ponto importante é persistir. Se o empregador prometeu que vai ligar e não ligou, volte e pergunte sobre o emprego novamente”, sugeriu.

Por fim, Henrique destacou que antes de embarcar é preciso ter pé no chão. “Se você não é daqueles que já vem com um emprego garantido do Brasil para cá, não tenha a ilusão de que você vai conseguir um emprego na sua área rapidamente quando chegar aqui. É importante se preparar e estudar bastante. Antes de cair de cabeça nesta aventura, pesquise muito sobre sua área de atuação. Já para aqueles que assim como eu irão mudar de área, é bom ter em mente que a mudança não será apenas na carreira, mas também no estilo de vida. Aqui o clima é diferente, a cultura é diferente, a comida… mudança total”, finalizou.

0 Compart.

Quem contrata: Samuel Gonçalves – West Trek

O nosso segundo entrevistado da “Semana do Trabalho” é o Samuel Costa Gonçalves. Atualmente ele é representante de vendas e guia da West Trek e atua nas contratações da empresa há quatro anos. Para quem não conhece, a West Trek é uma empresa canadense que oferece viagens para os principais destinos próximos à Vancouver, além de organizar diferentes atividades para estudantes internacionais, mochileiros e turistas.

Samuel compartilhou conosco um pouco sobre o processo seletivo da empresa canadense e o ambiente de trabalho. De acordo com ele, no que diz respeito às contratações,  além de requisitos importantíssimos como responsabilidade e profissionalismo, são avaliados também a habilidade de comunicação do candidato, o carismasamuel, organização e a qualidade no atendimento, já que na empresa o funcionário precisa estar em contato com os clientes o tempo todo. “Geralmente, a primeira coisa que fazemos é analisar os currículos que recebemos e, depois, os selecionados passam por uma ou duas entrevistas em grupo. Em seguida, temos também a entrevista individual. Depois de todo esse processo inicial, nós levamos o candidato em alguma viagem conosco e analisamos a sua performance e comportamento. Só depois é que decidimos se o candidato ficará conosco e passará por um período de avaliação antes de ser contratado em definitivo”, explicou.

west trekAinda segundo Samuel, outro ponto que é extremamente importante é o domínio do idioma. “Na hora de tentar uma vaga, o inglês é algo extremamente importante. A nossa empresa, por exemplo, trabalha com escolas de inglês e toda a nossa equipe precisa ser fluente. Todos os nossos e-mails, reuniões e documentos em geral precisam estar escritos com um inglês impecável”, destacou.

Por isso, se dedicar ao idioma é uma das dicas que ele dá para quem quer garantir sua posição no mercado de trabalho. “Além de mergulhar de cabeça no inglês, é preciso fazer o máximo de conexões possíveis e não hesitar em fazer trabalho voluntário. O trabalho voluntário foi o que abriu as portas para mim e, aqui no Canadá, é algo muito comum e a maioria das pessoas fará alguma vez na vida. Neste tipo de trabalho você conhece pessoas que podem lhe ajudar no futuro”, disse.

Quanto as diferenças entre o ambiente de trabalho canadense e o brasileiro, Samuel destaca o foco ao cliente. “Na minha opinião, aqui no Canadá o atendimento ao cliente é levado mais a sério. Você tem que estar sempre de bom humor e sorrindo, focado no que ele precisa. Outra coisa bem legal é o clima. Pelo menos aqui na West Trek é tudo mais descontraído do que na maioria das empresas no Brasil. Temos cachorros no escritório, video game, totó, ping pong… é bem legal”, finalizou.

1 Compart.

Quem contrata: Felipe – Rio Steakhouse

A busca por um emprego no Canadá é algo que tira o sono de muitos brasileiros que querem recomeçar a vida no novo país. As dúvidas são muitas e vão das mais simples às mais complexas e, muitas vezes, quem chega ao país não tem a quem recorrer para obter informações que possam ajudá-lo neste processo. Pensando nisso, a 3RA Intercâmbio também convidou para a “Semana do Trabalho” brasileiros que atualmente participam ativamente de contratações nas empresas em que trabalham ou que são donos. Eles dividiram conosco informações valiosas e que podem ajudar (e muito!) quem está a procura de um trabalho em terras canadenses.

O nosso primeiro entrevistado é o Felipe Ramos, um dos donos do Rio Brazilian Steakhouse. Felipe chegou em Vancouver com a família em 2001 e, por isso, também já teve a maioria das dúvidas que todo brasileiro recém chegado a um novo país possui. “Nós nos tornamos canadenses há muito tempo atrás, mas a nossa vida começou como a de todo brasileiro que já está aqui ou está pensando em vir para cá. Na época, nós não entendíamos muito os costumes e o jeito canadense de se fazer business e ainda não existia o Facebook e outras ferramentas de pesquisa para facilitar a chegada. Então aprendemos mesmo com tentativas e erros”, relembrou.

Para quem não conhece, o Rio Steakhouse é uma churrascaria tradicional brasileira e foi inaugurada em 2012. Atualmente são dois restaurantes: um em Downtown Vancouver e outro em Coquitlam. Os dois juntos contam com mais de 50 funcionários. “Uma de nossas várias propostas é sempre tentar ajudar brasileiros com questão de trabalho, pois nós sabemos como pode ser difícil conseguir emprego quando você é recém chegado por aqui. Por isso, muitas vezes contratamos brasileiros sem experiência e fornecemos o treinamento”, contou.

De acordo com Felipe, o processo de contratação para os restaurantes depende muito da vaga. Em geral, são duas entrevistas: a primeira para conhecer e analisar todos os candidatos, na qual são avaliados critérios como personalidade, currículo e futuro com a empresa, e uma segunda para avaliar carga horária e treinamento. Após essas duas entrevistas, os candidatos selecionados passam por uma etapa de treinamento com um dos gerentes. “Para nós, o candidato precisa mostrar vontade de aprender e iniciativa. Esses são os pontos mais fortes que um candidato precisa ter para fazer parte da nossa família. Na entrevista, ele precisa ser firme nas respostas. Pessoas com vontade de mudar e aprender se destacam muito”, explicou.

Quanto ao domínio do idioma, por se tratar de uma empresa brasileira, em determinados cargos não é necessário ter inglês avançado. Mesmo assim, Felipe destaca que saber a língua canadense é um ponto muito importante.  “O Rio tem vários departamentos e ter o domínio da língua é sempre um ponto forte na contratação. Porém, dependendo da vaga que está em aberto, o idioma não chega a ser algo fundamental. Por exemplo, no departamento de limpeza e cozinha, é bom que o candidato tenha um inglês básico, mais do que isso não é tão necessário. Mas agora se a pessoa quer uma vaga de garçom, ela vai precisar ter um inglês avançado, pois o nosso público é muito diversificado. Já para as vagas de passador de carne é bom ter um nível intermediário e é uma ótima oportunidade para começar, já que nesta vaga o candidato vai ter certo contato com a clientela, mas não tanto quanto o cargo anterior. Então é uma boa chance para quem está começando e precisa praticar o idioma”, destacou.

Vivendo há mais de 15 anos em Vancouver, Felipe teve a oportunidade de observar e aprender muito sobre o funcionamento do mercado canadense. Por isso, ele compartilhou conosco algumas dicas valiosas e que podem lhe ajudar na missão da conquista do primeiro emprego emprego. “O candidato precisa se preparar. Em primeiro lugar, é muito bom conhecer o local para o qual você está aplicando. É bom sempre procurar informações online, passar na porta algumas vezes e, se possível, conversar com pessoas que trabalham no lugar. É muito importante também ser humilde. O primeiro emprego é sempre um pé na porta do mercado canadense, então não pense duas vezes se tiver que pegar um cargo ‘mais baixo’ do que aquele que você tinha em seu país. Uma vez que você já está dentro, é fácil subir. No Canadá, muitas empresas preferem promover seus funcionários dentro da própria empresa. O currículo também precisa estar de acordo com o modelo canadense. O design é bem diferente dos currículos brasileiros, então é preciso pesquisar na internet e ajustar o documento para o tipo de trabalho que você deseja. A aparência também conta. É legal estar apresentável, com barba feita (no caso dos homens) e roupas limpas. Além disso, sorrir é muito importante. Seja um candidato bem-humorado e faça o entrevistador sorrir também”, finalizou.

0 Compart.